segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Liberdade Paterna

Diário do Pai
Data Paterno.Filial 658.412

Como vocês devem saber, existe um movimento conhecido como ChildFree no mundo, onde defendem diretamente um ambiente sem crianças, entre outras coisas. Entendo o movimento, concordo que possam existir locais onde não se tenha crianças (alguns por motivos óbvios) e acho que quem não deseja ter filhos tem todo direito de fazê-lo e ser pleno por isso. Mas claro que todo grupo tem militantes que falam sem pensar ou entender e escrevem coisas que não tem sentido ou, até mesmo, atrapalham a militância. 

Outro dia me deparei exatamente com uma destas frases que dizia: "Quando você estiver desanimado, lembre-se que você não tem filhos e é livre." Desculpe, eu ri, afinal, o que é ser livre? Repensei minha vida de solteiro, casado e casado com filho e entendi algo que muitos filósofos (principalmente orientais) pregam, de que a liberdade é estado de espírito (excluindo casos históricos de privação física por favor).

A frase denotava um ponto de vista bizarro, de que filhos são uma prisão, sem eles você é livre, com eles você não tem mais liberdade. Tendo filhos, sair a noite se torna complicado pois não tem com quem deixar. Quando tem, mesmo assim você fica com telefone a postos para quaisquer emergências. Viagens? Lembre dos filhos, não pode mais ir a qualquer lugar. Depois de certa idade, custa passagem. E ficam no mesmo quarto de hotel, adeus liberdade (...). Alugou carro? Não esquece a cadeirinha. Mala extra. Ou seja, filho muda sua rotina, sua vida passa a ter uma criança inserida em todo planejamento, logo, acabou a liberdade. Ok, se você entrar em um relacionamento, boa parte destes pontos também ocorre. Mas para mim, essa é uma análise simplória e equivocada de liberdade, onde a responsabilidade e compromisso são denominados privação de liberdade. Meu caro, um ponto, trabalho faz o mesmo.

Pensamento equivocado por que? Como falei lá no início da postagem, ao ler a frase revi todo meu passado e cheguei a conclusão de que hoje, mesmo "preso" com toda responsabilidade do bebê, me sinto mentalmente mais livre em relação ao mundo. Coisas antes que eram grandes questões para minha vida se tornaram quase irrelevantes. Exemplos? Ano passado teve show no meu estado do Phil Collins. Com a crise no estado, eu provavelmente não iria conseguir ir ao show tendo filho ou não (e ir ao show do Collins era um sonho), e me peguei pensando como iria ficar irritado de não ter ido ao show antes de ter filho. Antes me prendia a idéia específica de trabalho, hoje sei que não tenho mais estas amarras, se tiver uma oportunidade melhor em outra área, abraço. Interações sociais (o parte complicada), querer agradar as pessoas, manter relações que no fundo não são boas, a gente corta fácil, e damos atenção a quem realmente merece.

É verdade que ter filhos demandam compromisso e afetam seu tempo, dando sensação a quem está de fora de que estamos presos. É verdade que deixamos de fazer coisas que gostaríamos por causa do horário de soninho. Mas é mentira que estamos presos, a mente livre vale mais que toda atitude que denote liberdade. E hoje, como pai, posso falar que minha mente é mais livre que antes de ter nossa criança. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Este não é homem, é moleque.

Diário do Pai
Data Paterno Filial 645.399

Várias vezes que compartilho alguma coisa sobre negligência parental (em geral sobre atraso de pagamento de pensão), tem gente que vem correndo na minha postagem comentar que aquele cara não é homem, é menino (moleque). Embora ainda achasse rasa está comparação, ela era até valida. Mas, meu caro, vou dizer que após o nascimento do meu filho, esta definição mudou muito, muito mesmo, e a abrangência do menino aumentou.
O período de gravidez, deixei de fazer muita coisa (por escolha própria) para assessorar esposa e bebê que ainda nem tinha nascido. Nem imaginava que esta fase fosse tão facil para um relacionamento a dois comparado ao puerpério e o período em seguida (sim, o puerpério é um inferno, mas vale a minha postagem anterior, prefiro ele ao hospital). E tudo se tornou ainda mais difícil no momento que voltei a trabalhar (licença paternidade devia ser de, pelo menos, 6 meses, piada estes 20 dias). A volta ao trabalho mudou a rotina de casa de forma brutal, ainda mais no meu caso, professor universitário (aulas manhã e noite praticamente todo dia). Adivinha? Comecei a sair antes do bebê acordar e chegava depois do bebê dormir e a mãe cair de exausta. Opa, posso dormir... Nada, lá vou eu para cozinha, fazer comida e lavar roupas do bebê (juro que todo dia não dava, nestes dias pedia comida bo aplicativo para esposa). Preparava perto de 0h a mamada de meia noite e vira e mexe, passava um pano na casa mesmo sem luz ideal (- Não precisava, você precisa descansar...- ela também ora bolas). E me cobrava por não estar fazendo mais. Ficava (fico) repensando muito o fato de quanto era difícil para mim estar tanto tempo longe do meu filho e minha esposa. Todo dia recebo uma enxurrada de fotos e vídeos dele que minha esposa me manda e penso que estou perdendo a melhor fase dele (deve ser por isso que não largo ele no fim de semana, carrego até para o mercado sem a mãe... No colo, nada de carrinho). Mesmo assim, sinto que neste momento não consigo mudar a rotina, mas com certeza preciso fazer estas coisas do lar pois, se eu estou exausto, a patroa está muito mais.

 Portanto, se o cara somente trás dinheiro para dentro de casa no maior modo provedor de ser, se contenta em fazer nada doméstico por estar cansado e reclama da panela vazia, não é homem, é menino.

 "Então sua esposa te ama (sim, assim como eu a ela) e você é o marido perfeito (vocês inocentemente vão dizer, ledo engano)". Esquece, mesmo que fosse o marido perfeito e atendesse todas necessidades, ainda temos os fatos, a ela não dorme direito desde o 1o mês da gestação, todo sono é picotado, restrição total da vida, represamento da pessoa ao bebê (e eu insistindo com ela para sairmos um pouco, "deixa a casa assim que você precisa passear", depois damos um jeito), a exterosimbiose em nível elevado, peito a cada 3 horas (meu filho é naturalmente regrado, ao contrario do pai), peito a cada dorzinha, pedido de colo da mãe em 80-90% das vezes (ta começando a diminuir, mas ainda vai demorar) etc. Acha que isso não vai cansa-la? Vai. E é aqui, neste cenário que se diferencia um homem de um menino.

Sua companheira vai falar sob efeito deste cansaço profundo, vai falar coisas que ela não quer dizer para ti, que talvez nem concorde (totalmente), mas acredite, vai ferir seu ego. Coisas que em um estado condições normais de temperatura e pressão (sem o cansaço meu caro, vindo em sobriedade), acabariam com um casamento.

Mas não são condições normais. Esqueça, não seja injusto respondendo. Provavelmente sua fala machucará muito mais a ela do que seu ego ferido. 

Não são condições normais. Simplesmente como ela está, as dificuldades que ela está passando frente as suas, ao invés de criar uma crise na vida a dois, respire e siga em frente. 

Ouça-a, é difícil, mas ouça, capture no meio da fala o que você precisa melhorar (existe, acredite) e faça. É recompensador para você, mas principalmente, para ela.

Aqui se separa o homem do menino, o menino esperneia e vai embora, por não entender a situação da companheira. O homem afaga, ouve e sabe que este é apenas o momento mais complicado de todo relacionamento, a prova mais forte da vida a dois, e faz sua parte para que o mesmo de certo. O menino volta para a segurança de seu mundo material solteiro. O homem, carrega no colo o peso de entender que aquilo é relacionamento/casamento. E se ouvir algo que machuque, não promova uma briga, não propague violência verbal devido ao ego.

Hoje, a diferença entre homens e meninos não está mais nos limites das postagens das redes sociais. Se não incluir, troca de fralda, acordar de madrugada, dar banho no bebê, levar na consulta médica, saber idade do filho, tamanho da roupa, tomar vacina, entre várias outras atividades (nem listei as tarefas do lar), não é homem, é só moleque mesmo.



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Pegando no pé de postagem que exalta a maternidade...

Diario do pai.  
Data paterno.filial 644.398

Durante minha vida adulta, principalmente depois que minha esposa engravidou, andei prestando atenção em tudo que escrevem ou falam sobre maternidade e paternidade. Não de surpresa, sobre maternidade vi em grande quantidade e com enormes referências. Já sobre paternidade..., no dia dos pais vi mais piadas sobre pensão do que parabéns aos pais ou discussão sobre alienação parental. Ok, até entendo, mas bola para frente pois para trás só se faz gol contra. Mas um conjunto de textos me incomodou muito, e até fui muito incisivo em minhas críticas a estes textos (peço desculpas a quem eu tenha magoado por causa disso a priore), mas vou explicar neste texto o porquê. Os textos falavam sobre a mãe ser a única (não protagonista) do filho e o filho da mãe, colocando pai como coadjuvante ou simplesmente excluído da equação. 

Nestes textos, em geral, frisa a mãe guerreira, que acorda a noite toda para cuidar do bebê enquanto o mundo dorme, que o bebê confia na mãe e apenas a mãe sabe o que o bebê quer. Quem troca a fralda, ou da banho no bebê, quem conforta na doença, quem prepara a comida e se preocupa com estoque de fraldas e lenços umidecidos, a mãe. Quando contam com a ajuda, quem cuida da mãe é a mãe da mãe (a avó). E sempre excluem da equação, o pai. Sim, vou dizer a verdade, para os pais que participam (e estou surpreso, na minha timeline tem mais do que eu esperava), estes textos são relativamente uma injustiça. Até faço "mea culpa", pois magoa quando a gente vai dormir mais tarde e acorda de madrugada pois, divide e faz questão de dividir, as tarefas da criação com a mãe do seu filho. Mas não é a exclusão do pai o motivo de brigar toda vez que vejo um texto destes, mas sim do quão nocivo estes textos são para as mães. 

 1- Quando se fala que: só a mãe acorda a noite para acabar com a cólica do bebê; só a mãe acorda a noite pois o sono do bebê esta agitado; tem que trocar a fralda suja, indiretamente você isenta o pai de acordar (e as mulheres que tem homens que acordam são automaticamente sortudas).  

 2- Quando fala que apenas as mães entendem o que seus filhos sentem, isenta o pai de aprender a reconhecer o choro do bebê (nem vem, ninguém sabe de cara o choro do bebê, é intuição, depois de uma semana a gente começa a discernir). 

 3- Quando fala que apenas a mãe transmite segurança para o bebê, isenta o pai de abraçar e acalmar a criança para ela sentir segurança nele também.  

 4- Quando fala que só a mãe tem a delicadeza que o filho precisa, isenta o pai de aprender a cuidar do bebê, dar banho, trocar fralda, cuidar de feridas, dar comida, ficar com a criança um tempo. 

 Quando se faz tudo isso e mais coisas, joga somente sobre a mãe todo peso da criação de uma criança; retira do homem a preocupação de aprender sobre a vuda do bebê e fazer o que for possível em casa em favor deles. 

Quando se exalta assim a maternidade, não é apenas injusto com o pai; é injusto, tóxico e nocivo com as mães, pois não se cria o conceito de pai, reforça apenas o conceito de genitor. E convenhamos, sem um parceiro (não ajudante), o trabalho da mãe se torna hercúleo (na verdade é até injusto ppis nem Hércules teve tanto trabalho). 

Se quisermos um futuro melhor, vamos incentivar a maternidade, mas também exaltar a paternidade ativa, para que o número de PAIS deixem de ser contado nos dedos apenas.  

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Ajuda não... Chega junto.

Diario do pai.
Data paterno.filial 483.237

Você acha que pai não ouve coisas desagradáveis? Quando se exerce paternidade, a gente houve demais. Quando simplesmente buscamos ser parceiros, vemos pelos comentários dos outros como somos poucos... E precisamos demarcar território. Na mente das pessoas, somos relegados a ajudantes, pois as pessoas ainda acham que é trabalho da mulher, ou não acredita que podemos chegar junto. São com coisa assim que nos deparamos.

"Amo ficar com meu filho, passo a maior parte do tempo com ele sempre que posso, até para aliviar a mãe!" 
"Mas voce troca a fralda do bebê?"
"Só não dou peito pois é impossível."
"Que bom que você ajuda!"

"Seguro o bebê enquanto minha esposa come. Até brigo com ela para ela comer."
"Que bom que você ajuda em casa!"

"Você está com cara de cansado!"
"Sim, o bebê estava doentinho ontem/fentinho nascendo/cólica, e não dormimos direito!"
"Ah, fala sério, o pai sempre dorme!"
"Ei, quem ficou ninando ele parte da noite após ele mamar para arrotar?"
"Que bom que você ajuda em casa!"

"Você está com cara de cansado! (2)"
"Fui dormir tarde ontem pois estava cozinhando para deixar comida para esposa. Também deixei estendida a roupa do bebê!"
"Você cozinha? Duvido!"
"O escondidindo de carne seca feita com aipim lá em casa discorda!"
"Que bom que você ajuda em casa!"

"Duvido que você fique com ele mais que 5min"
"Se ele não chorar de fome e eu não precisar sair para trabalhar, fico com ele até o choro por peito"
"Que bom que você ajuda com ele!"

Em geral, este "que bom que você ajuda" pode ser substituído por... "Ela tirou a sorte grande", "ganhou na loteria", "você é um paizão".

Gente, entenda, isso não pode ser rebaixado, nem exaltado, faz parte da tarefa de um casal. Sempre preferi um "é isso aí professor, tá certo em fazer" do que o rebaixamento de uma atitude, ou exaltação da mesma. Não é para aparecer, é para atender uma demanda. Se parte dos pais (a maioria) é omissa, não significa que todos são, se ele quer conversar contigo para discutir criação dos filhos, não é porque ele quer mostrar que faz, mas para trocar experiências.

Eu NÃO AJUDO em casa. Eu faço minha parte na criação do nosso filho. Me deixa triste eu trocar fralda do meu filho na sala de espera da pediatra e ouvir outras mães/avós conversando sobre eu fazer algo tão simples pois tem pais que não sabem nem segurar os filhos.

Eu NÃO AJUDO em casa. Faço ou tento fazer o que devo fazer. Falho pacas, deixo a desejar, mas surpreendo também.

Do banho no bebê, troco fralda e roupa quando suja, fico com ele algumas horas sem a mãe (não consigo vender o peito), brinco, dou carinho, dou remédio, lavo nariz, fico no hospital, faço tudo que posso e tudo que devo. Cozinho para esposa, lavo roupa, limpo banheiro e casa (embora odeie e isso atrapalhe um pouco).

E antes que pensem, não quero aparecer não. Nada. Só quero mostrar que é possível ser exemplo, e farei de tudo para ser.

Prefiro a descrição de uma pediatra, em um dia de consulta onde não via pais, que falou sem elogios, sem alarde algum, enquanto eu vestia o pequeno e minha esposa conversava com ela: "O pai chega junto!"




domingo, 12 de agosto de 2018

Não duvide do amor de um pai que ama.

Diário do pai
Data paternal atemporal 

Um dia vem a notícia, duas linhas, começou a saga da vida, paternidade derruba a porta da sua vida, vem um turbilhão de sensações e sentimentos, mas a verdade é que a gente nada sente.

Por nove meses a gente interaje mas não sente o enjôo. As dores vem, mas nunca na gente. Não sentimos, apenas acreditamos no que nos fala a mãe, não temos outra opção. Depois de uns meses até sentimos o toque, o empurrão, mas uma barreira de sete tecidos nos separa do contato direto. E já amava. Nunca duvide de um pai que ama.

Não sofremos mudança hormonal. Nada. Apenas vemos de fora todo trabalho que a "futura" mãe sofre. Mesmo assim ficava ansioso. Quando ele chega? E amava ainda mais.

Ele nasce, primeira vez em contato, mas o contato acaba rápido, colo da mãe ou encubadora. Sentimos emoção, vontade de gritar, chorar, sorrir, segurar e não largar, sei lá, depende de cada um, mas uma coisa é certa, não sofremos onda de ocitocina. Mesmo assim, reforça nosso carinho.

Por meses, a criança rejeita seu colo algumas vezes, as vezes te estranha, estranha seu cheiro, esquece que você existe, vale menos que um seio aconchegante. Claro, você entende (ou deveria). Ele só quer a mãe. Mesmo assim, você não sabe explicar o que sente.

Troca fraldas fedorentas e quando pensa que a criança ficará contigo um pouco, vem a vontade de se ligar ao peito. Aliás, dor? Seio. Cólica? Seio. Tristeza? Seio. E você não tem seio. Mesmo assim, tava lá perto do bebê e sua mãe. Vendo mamar, e não é linda esta criança? E aquela cena te conforta.

Pela primeira vez a criança se joga no seu colo, emoção. Pulou do colo da mãe (ganhei o Superbowl)! Ele reconhece sua voz, fica contigo sem a mãe. Brinca contigo brincadeiras que só o pai faz (mentira, mas deixa eu acreditar um pouco nisso). Ele dorme confiante no seu colo. E você achava que não poderia amar mais, mas o sorriso lrova o contrário, você ama.

Nunca duvide do amor (verdadeiro da para reconhecer) de um pai por seu filho ou filha. Não é um amor que surge com ajuda. O pai que ama, ama incondicionalmente, e não duvide deste amor, nunca, pois um amor construído, um amor consolidado, sobre alicerces indestrutíveis de uma relação baseada na paciência para formação dos laços, baseada na relação pai/criança.

Nunca duvide do amor de um pai que realmente ama.


sábado, 20 de janeiro de 2018

Devaneios da madrugada I - A Crítica!

Diário do Pai
Data Paternofilial 278.32

Eram 3 horas e 30min da manhã e ninava meu pequeno que tinha acordado 2:30 e já tinha mamado. Sem muita coisa para fazer, com cabeça ligado mais na vida que no NetFlix, fiz a única coisa possível. Revi os primeiros dias do puerpério. Me sentindo culpado por ter passado mal na noite anterior e ter sido nulo, cuidei do bebê esta madrugada inteira para deixar a mamãe dormir ao máximo (nem adiantou tanto, acordava a noite toda para saber se tudo estava bem). E tanto tempo acordado, pensei em umas 3 coisas diferentes até Mikael dormir as 4h. Uma delas foi debate já com minha esposa e se chama Crítica! Mais especificamente sobre quem faz a crítica as grávidas ou puérperas.

Durante todo caminho que percorremos, e o contato com pessoas que passaram pelo mesmo concomitantemente, percebi que 2 coisas factuais: 1- toda grávida, parturiente ou puérpera será criticada, ou receberá pitaco do que deverá fazer (Até ai, compreendo, e dei patada em muita gente por causa disso); 2- o que realmente me incomodou muito, mais de 90% das críticas  (no caso nosso, todas as críticas) foram feitas por mulheres e que já engravidaram e passaram pelos mesmos perrengues.

Dos homens eu consigo entender a falta de crítica, não é porque somos legais, muito longe disso, somos em geral criados para ficarmos a margem da gravidez e criação de uma criança. Somos criados tão alheios que o homem não se envolve com o parto, não atua no puerpério, volta a trabalhar em cinco dias (ou 20) e tudo bem. Como não se envolve, tanto no pré quanto no pós parto, sua écrítica principal é falar que tudo é frescura e ser um ogro sem sentimentos. Os que se envolvem (estamos crescendo em número, o que é muito bom) não tem o que criticar, a maioria destes com quem falei apenas deram dicas profundas e boas. 

Agora, crítica vindo das mulheres me preocupa, elas passam pelo processo, sabem o que é gravidez, sabem os riscos envolvidos, sabem os efeitos que cada coisa pode causar na gravidez, sabem o impacto das palavras em um momento tão sensível. Então por que, por que falam coisas que sabem que vai afetar a grávida ou ex-grávida? Qual o motivo? Olha a lista de críticas: 
1- modo como você alimenta seu filho.
2- quanto você alimenta seu filho.
3- tipo de parto que você escolheu.
3.a - e os problemas que poderiam ser evitados se você a ouvisse.
4- sistema de visitas ao bebê. 
5- roupas que ele tá usando. 
6- como você carrega o bebê. 
7- se você reclamar da gravidez ou do puerpério. 
8- se deixou o pai dar banho no bebê (principalmente menina).
9- se o pai estiver sozinho com a criança (que tipo de mãe você é? - a que tem um pai que cuida da criança e posso confiar?)
10- se o bebê chorar (essa é surreal).
11- se cochilou 10min.
12- ...

coloquem nos comentários que atualizo a lista.

Mas o pior disso tudo para mim é que a crítica vem de tanto de gente estranha na rua quanto próxima da família. Em sua maioria sob a alcunha de "ajuda".

Minha reflexão:
1- mães e futuras mamães, vocês serão criticadas. Ignorem e sejam felizes. Se precisarem responder, respondam. 
2- pais, protejam a mãede seus filhos, se precisar, de a patada primeiro e antes de chegar nela. 
3- a todos, principalmente as mulheres, não critiquem, se unam, pergunte o porquê da escolha daquela mãe, mas respeite o desejo dela. Vocês podem saber o que uma mulher sente com a gravidez, então ajude a aliviar esta fase difícil e não complicá-la.



Fim de registro.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Puerpério! Sim é possível sentir falta!

Diario do pai
Data Paternofilial 255.9

Terça-feira, eram 3 da manhã. Data paterna 246, começa a contagem de vida do meu filho, agora data paternofilial 246.1. O susto tinha passado. Minha esposa dormia na maca ao meu lado, logo após um parto complicado, logo após o susto que tive... apenas a via dormir... Mas no quarto faltava alguém. Não tinha a cama que mais esperávamos. Não tinha exatamente aquele que esperavamos desde a data paterna 01. Fiz a coisa mais difícil neste dia, a exatas 2h antes... leva-lo e interna-lo no CTI Neo Natal... nem pestanejei quando a médica sugeriu e agarrei com afinco que esta era a melhor decisão. E era. E foi. Aliás, a pior parte foi dar a notícia para minha esposa quando ela acordou.

Não, não vou falar da condição dele, foi mais um ato preventivo que qualquer outra coisa e isso é algo que condiz a família apenas. Portanto, ao encontrar uma família que o mesmo tenha ocorrido, segure a onda e não pergunte, se a família quiser te falar sobre, falará. Não tente falar do assunto, não tente encontrar justificativa (sempre parece crítica negativa a escolha dos partureintes... sério, sempre), fale apenas de força, se passou por situação parecida, fale da melhora, mas não force. Repetindo, apenas fale de força, fale de melhoras e nada mais. Neste momento, os parturientes só querem abraços e fim.

Mas esta introdução é apenas para relatar uma coisa: "Puerpério! Sim é possível sentir falta!".

Eu sei que o puerpério é uma fase complicada, mãe e bebê se adaptando, pai se adaptando a ambos (quando o faz), ninguém dorme, cólicas, dificuldade na amamentação, desespero total, a lista é grande e não quero romantizar nunca esta fase, ela é um caos regado de amor e desespero. Mas antes de dizer que ninguém sente falta do puerpério, eu e minha esposa hoje estamos ensandecidos para que o mesmo aconteça, afinal, ninguém merece os dramas do CTI que relato abaixo:

1- bebê no CTI, primeiro contato, ele está em uma incubadora, com tubos e mais tubos inseridos em um braço, um sistema de monitoramento que observa parâmetros corporais que realmente variam e apitam o tempo inteiro. No nosso caso, ainda tem um respirador no nariz. Você o vê por uma base de acrílico colocando apenas suas mãos no bebê sem poder colocá-lo no aconchego do colo. Não ainda. E quando tem esta autorização... o trabalho de tira-lo é tão grande devido aos tubos, que você não quer devolvê-lo para a caixa quente opressora. Então você começa a torcer que o respirador saia logo e facilite sua vida.

2- o primeiro banho não é seu. Nem a maioria das trocas de fraldas. Quando vão fazer algum procedimento ou revisão do bebê, você não pode ficar do lado. O resto do dia pode.

3- enquanto não sai o respirador do nariz, nada de amamentar. Vários bebês então se alimentam apenas de sonda, enquanto não tiram o respirador. Mas vai lá, a mãe é incentivada a ordenha para que seu colostro e leite fortaleça o bebê. 

4- o local é desconfortável para os pais, por mais que as cadeiras sejam confortáveis. Passar o dia lá é mentalmente desgastante, desesperador, cansativo, mesmo que você faça nada, você fica totalmente esgotado.

5- a mãe tem alta, você pega na mão dela a noite e a leva para casa, quase a força, quase no papel do cara monstruoso que a está levando para longe da criança dela, mas porque você sabe que se ela não descansar, será pior.

6- no carro, o bebê conforto está vazio. Você o cobre com um pano para fingir que não a vê ali no fundo.

7- em casa você não dorme no quarto, pois o berço dorme vazio. Seu sono não vem, pois você não quer sair do lado da incubadora.

8- a noite é toda interrompida devido a dores e remédios do pós-parto. Ai você recorda, o bebê não está ali para reforçar que valeu a pena.

9- controlar para quem você fala a situação, dar notícias todo dia e controlar as visitações limitadas.

10- você saber o que seu filho precisa (ele ta com cólica por exemplo) e não poder fazer nada, pois ele está sobre controle rigoroso médico. 

11- dia seguinte você volta ao hospital, e a rotina se repete.

Portanto, a única coisa que sentimos falta neste momento é o santo puerpério infernal. Adoraria passar noites em claro com o bebê chorando em casa e não em um esquife quente de acrílico.

Mas tem um alento nesta rotina malévola. Cada dia era uma melhora. Cada dia era uma comemoração. Cada dia você pensa que está mais próximo da alta. Mas a noite, ir para casa era um chute da realidade, pelo menos mais fraco, pois cada melhora era uma injeção de ânimo na esperança.

Por fim, não me dei ao luxo de chorar, este texto é meu choro. Apenas sei que não desejo isso a nenhum pai/mãe. Somente pior que este quadro seria a criança não viver. Repito isso na minha cabeça todo dia para aliviar a dor. Em breve ele estará em casa acabando com meu sono.

Meu próximo texto será sobre a importância do pai no pós-parto, exatamente com minha experiência no CTI. Espero que gostem.


Este foi nosso Natal. Tivemos o presente de poder tirar fotos dele no CTI.

Liberdade Paterna

Diário do Pai Data Paterno.Filial 658.412 Como vocês devem saber, existe um movimento conhecido como ChildFree no mundo, onde defende...